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Mauricio de Sousa

Por Vitor Nicolau

entrevista

Mauricio de Sousa é o mais novo entrevistado da Mais Ação. O pai da Turma da Mônica é natural de Santa Isabel, em São Paulo, tem 72 anos e faz aniversário no próximo dia 27.  Filho de poetas, ele é um dos mais famosos cartunistas do Brasil e começou desenhando cartazes e ilustrações para rádios e jornais de Mogi das Cruzes. Em 1959 uma história do cãozinho Bidu, sua primeira personagem, foi aprovada pelo jornal Folha da Manhã, de São Paulo, onde Mauricio trabalhava como repórter policial.

Em 1963, junto com a jornalista Lenita Miranda de Figueiredo, Mauricio criou a Folhinha de S. Paulo. Foi neste mesmo ano que nasceu a popular Mônica. Em 1987, Mauricio de Sousa passou a ilustrar o suplemento infantil de O Estado de S. Paulo, o Estadinho, que até hoje publica tiras da Turma da Mônica.

Mauricio montou uma grande equipe de desenhistas e roteiristas e depois de algum tempo passou a desenhar somente as histórias de Horácio. Os personagens de Maurício são inspirados nos seus 10 filhos, como: Mônica, Magali, Marina, Maria Cebolinha, Nimbus e Do Contra.

Confira abaixo a entrevista exclusiva que Mauricio de Sousa concedeu à Mais Ação.

Mais Ação – Sua família nos Quadrinhos é tão grande quando na vida real. Como é ser o responsável por influenciar gerações por mais de 40 anos?

Mauricio de Sousa – Sim, tenho uma família grande. Só eu tenho dez filhos. Influenciar tantas gerações de leitores é, ao mesmo tempo, uma alegria e uma responsabilidade imensa. Mas como sempre adorei desafios, encaro essa responsabilidade com naturalidade.

Mais Ação – Como é o seu processo criativo para criar um novo personagem? De onde vem tanta inspiração?

Mauricio de Sousa – A inspiração sempre veio de minha vivência e recordações de infância. Basta olhar ao seu redor, que há idéias pulando na sua frente. Tanto que, no começo, muitos personagens foram baseados em pessoas com quem convivi.

Mais Ação – Meu avô já dizia: "Cria-se os filhos para o mundo". Qual é o sentimento de deixar os seus personagens nas mãos de outros profissionais? Foi difícil deixar a prancheta?

Mauricio de Sousa – Quando publicamos mais de 700 páginas por mês, é preciso uma equipe para produzir nesse ritmo, mas nada passa sem minha supervisão minuciosa, desde o roteiro até a arte-final.

A equipe do estúdio é capitaneada pela Alice Takeda, que também é minha esposa. Assim não há esse sentido de perda. Criamos os filhos para o mundo, mas nunca deixaremos de olhar e viver por eles.

Mais Ação – Como você escolhe os seus roteiristas e os desenhistas? E como vocês trabalham questões como preconceitos, violência e estereótipos nas histórias?

Mauricio de Sousa – Recebo muito material de novos desenhistas e roteiristas. Muitos começaram a trabalhar para o estúdio assim. Alguns outros vejo na mídia e eu mesmo os convido.

Quanto aos temas mais difíceis, não deixo de passar por eles em minhas histórias, mas sempre com muito cuidado com as informações e a forma como serão passadas para nossos leitores. A fórmula é comentá-los como se fosse uma conversa de pai para filho.

Mais Ação – Gosto muito do Horácio e sinto saudades de suas participações nos Gibis. Como surgiu a sua relação com o Horácio? Porque não deixar outras pessoas construírem o seu roteiro?

Mauricio de Sousa – Alguns acham que o Horácio é uma espécie de meu alter ego – não é bem assim. Quando estou escrevendo um personagem, naquele momento eu SOU ele. É por isso que funciona.

As histórias do Horácio são mais questionadoras da condição do ser humano. Ainda não houve algum roteirista que fizesse da forma que eu gostaria que fizesse. Assim, o Horácio ficou como minha pequena ilha de criação e produção.

Mais Ação – A Turma da Mônica está passando por um período de grandes mudanças. Você considera essa mudança muito arriscada? O que a gente pode esperar da nova série? E a série antiga, vai continuar?

Mauricio de Sousa – Claro que a série da Turma da Mônica Infantil continua e mais forte como nunca. É que a novidade da Turma da Mônica Jovem veio com o maior sucesso dos últimos 20 ou até 30 anos no mercado de quadrinhos.

Não houve substituição, mas sim a criação de um “universo paralelo” no qual as duas turmas convivem tranqüilamente. Logo mais, quando lançarmos os novos desenhos animados da Turma da Mônica clássica na televisão, verão que a turminha está com a força total também para acompanhar esse sucesso dos personagens adolescentes.

Mais Ação – Os quadrinhos e as tirinhas, em certas regiões do Brasil, possuem pouca visibilidade nos jornais. Qual a importância que este gênero tem na formação social de um indivíduo?

Mauricio de Sousa – As tiras de jornal são a base de diálogo com o público leitor. É um contato diário que cria uma relação companheira e que repercute na fidelização com o veículo onde são publicadas.

Evidente que essa sintonia fina ajuda as pessoas a se formarem e informarem, pois nas tiras se discute a vida e a forma como enfrentamos os problemas. O humor sempre empurra para o enfrentamento dos problemas com uma atitude mais positiva.

Mais Ação – Você também é um dos personagens da Turma da Mônica. Como é ser um personagem de quadrinhos?

Mauricio de Sousa – Na vida real, me sinto assim. Por isso, entrar nas historinhas é assumir a responsabilidade pela Turminha. Como um pai.

Mais Ação – O que podemos esperar da Turma da Mônica nos próximos anos? Quais são os seus projetos?

Mauricio de Sousa – Vamos ter ainda nesse ano a inauguração do Canal Oficial da Turma da Mônica no Youtube, mais desenhos animados feitos exclusivamente para a televisão, mais dois longas (um com o Horácio e outro da Turminha), uma peça de teatro ao estilo Broadway, joguinhos para computador e outras edições especiais como as que estamos produzindo com as tiras clássicas e as republicações de primeiros gibis da turminha.

Mais Ação – Conseguir produzir para o meio impresso, televisão, internet e cinema é um dos pontos fortes da Turma da Mônica. Quais as dificuldades que você encontra para convergir todos estes meios de comunicação? E qual deles te fascina mais?

Mauricio de Sousa – Para mim, todos os meios são importantes. É claro que vim de uma geração em que o gibi predominava e criou um sentimento gostoso de curtir essa leitura.

Mas não ficamos parados no tempo e entramos em todas as plataformas de comunicação que vão surgindo. Não há dificuldades quando a base da criação é a própria criatividade e não é preciso apenas se submeter à tecnologia.

Mais Ação – No início da entrevista falamos que os filhos crescem e ganham o mundo. Qual a sua perspectiva para a Turma da Mônica no exterior? Esta nova série tem chance de fazer tanto sucesso como a anterior?

Mauricio de Sousa – A Turma da Mônica Jovem veio com tanta força que realmente abriu contatos que devem se concretizar nos próximos meses. Um deles é a co-produção de desenhos animados com produtoras no exterior.

Mas, falando de exterior, nosso maior sucesso está sendo o personagem Ronaldinho Gaúcho, que já é publicado em mais de 50 países e também pode virar desenho animado. Também estamos trabalhando em conjunto com o governo Chinês para a utilização dos personagens da turminha em um programa de alfabetização para mais de 180 milhões de crianças chinesas.

Mais Ação – Por fim, gostaria que você deixasse um recado para seus fãs Mais Ação.

Mauricio de Sousa – Sabemos que nossos leitores estão cada vez mais exigentes e nossa responsabilidade aumenta na mesma proporção. É uma relação interativa que nos deixa mais estimulados para enfrentarmos os desafios de nossa criatividade.

Felizmente, isso tem acontecido por ouvirmos o que acham de nossas histórias, tanto pelos e-mail recebidos quanto por cartas e até no contato pessoal.

Tratamos nossos leitores como parceiros e acredito que essa é uma das razões de mantermos leitores por tantas décadas, como tem acontecido. Obrigado pelo carinho que recebemos de todos nessa trajetória.


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