MEMÓRIA MAIS AÇÃO: Um autêntico músico popular brasileiro.
abril 23rd, 2009, por admin

Foram 32 discos em 28 anos de carreira. Regravações e homenagens prestadas por nomes como Paralamas do Sucesso, Lulu Santos, Jorge Ben Jor, Cássia Eller e Marisa Monte. Brigas por cachê travadas com casas de shows e gravadoras, além de intrigas com a Rede Globo. Shows tão divertidos quanto polêmicos, marcados por sua exigência técnica na qualidade de som. Tudo isso e uma irremediável coleção de vÃcios. “Não fumo, não bebo e não cheiro. Meu único defeito é que minto um pouco”, dizia Tim Maia, um dos maiores cantores da história da música brasileira, morto no dia 15 de março de 1998, em decorrência de uma infecção generalizada. Além de enfrentar problemas como obesidade e diabetes, o carioca de 55 anos chegava a consumir três garrafas de uÃsque por dia, além de cocaÃna e maconha.

No dia 8 de março de 1998, Tim Maia insistiu em cantar num show no Teatro Municipal de Niterói, no Rio de Janeiro, mesmo sabendo de sua saúde debilitada. Sobre o palco, passou mal e acabou sendo levado de ambulância para o Hospital Antônio Pedro. VÃtima de um edema pulmonar seguido de parada cardiorrespiratória, o pai da soul music brasileira falecia sete dias depois da internação, sem ao menos se despedir da festa.
Apesar dos desafetos que acumulou ao longo de sua trajetória artÃstica – e do incorrigÃvel hábito de faltar a muitos shows -, o carioca do vozeirão foi um dos cantores mais importantes de sua época, trazendo influências do funk, do soul e da disco music para a música popular brasileira. O carisma, a personalidade e as excentricidades de Tim tornavam suas performances inesquecÃveis. Sua brilhante e extensa discografia é cultuada fervorosamente até os dias de hoje, e canções como “Vale Tudo”, “Gostava Tanto de Você”, “Azul da Cor do Mar” e “O Descobridor dos Sete Mares” se encarregarão de apresentar, à s próximas gerações, esse artista imortalizado nos anais do cancioneiro popular nacional.

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Nesta sexta-feira, dia 24 de abril, a Rede Globo revisita o legado do grande Tim Maia no programa “Som Brasil”, com apresentação da atriz Camila Pitanga. Os eternos sucessos do cantor carioca serão interpretados por artistas como Léo Maia (filho de Tim), Seu Jorge, Taryn Spielman e o grupo Instituto. O “Som Brasil” vai ao ar logo após o “Programa do Jô”.


Depois de largar a ideologia da Cultura Racional, Tim Maia lançou, em 1977, um novo disco homônimo, trazendo mais petardos da música brasileira imortalizados pelo seu vozeirão: “Verão Carioca”, “Venha Dormir em Casa” e “Não Esquente a Cabeça” resgataram o espÃrito das composições que marcaram o inÃcio da carreira do cantor. No ano seguinte, o inspirado carioca gravou a obra-prima “Tim Maia Disco Club”, pela Warner Music, e reafirmou sua relevância artÃstica com um eterno sucesso de público – a hipnótica e dançante canção “Sossego”.
Nos anos 80, o pai da soul music brasileira já ostentava uma carreira admirável, lotava shows com fãs de todas as idades e era admirado pela crÃtica especializada. Em 1983, o já consagrado Tim gravou outra grande obra-prima de sua discografia: “O Descobridor dos Sete Mares”, que apresentava ao público as inesquecÃveis interpretações do carioca para a melancólica “Me Dê Motivo”, de Paulo Massadas e Michael Sullivan, e a canção-tÃtulo, composta por Michel e Gilson Mendonça.
contagiante composição própria do carioca. A coroação do talento e da importância de Tim para a música brasileira na época aconteceu em 1988, quando ele ganhou o Prêmio Sharp de Música na categoria “Melhor Cantor”. No discurso de agradecimento, Tim Maia, já conhecido por sua irreverência e veia humorÃstica, disparou: “Eu gostaria de fazer uma homenagem ao meu urologista, o Dr. Edson, que me deixou ereto para o resto da vida”. A inusitada declaração foi uma referência à operação a que o músico se submeteu devido a uma infecção no saco escrotal.
Depois de gravar um disco interpretando clássicos da bossa nova, Tim Maia chegou à década de 90 precisando dar novo fôlego à sua carreira. Insatisfeito com as grandes gravadoras, o músico retomou seu selo, o Seroma, e sua gravadora própria, a Vitória Régia Discos, através da qual lançaria seus álbuns seguintes. Em 1992, o primeiro disco ao vivo de Tim passou sua brilhante discografia a limpo, trazendo “Vale Tudo”, “Sossego”, “Você e Eu, Eu e Você”, “Azul da Cor do Mar” e “Me Dê Motivo”, dentre outros hits eternizados no vozeirão do carioca. Mas foi no ano seguinte que Tim Maia voltou a receber merecida atenção de mÃdia e grande público: com a famosÃssima citação de Jorge Ben Jor em sua canção “W/Brasil”, na qual apelida Tim de “sÃndico”; e com a regravação que o carioca fez para “Como Uma Onda”, de Lulu Santos e Nelson Motta, versão que estourou através de um comercial de TV e depois figurou no repertório do disco “Tim Maia” de 1993. Renovado, o cantor esbanjou produtividade nos anos seguintes, lançando mais de um álbum por ano e explorando cada vez mais suas composições românticas, porém sem deixar de fora o funk e o soul caracterÃsticos de seu estilo.

Foi só no ano de 1969 que Tim Maia se projetou nacionalmente para o cenário da música brasileira. Com um novo compacto, desta vez gravado pela Fermata, o cantor apresentou duas canções resultantes de sua imersão no universo musical norte-americano: “These Are The Songs” e “What Do You Want To Bet”, que fizeram-no entrar na década de 70 com o pé direito. A visibilidade que esse novo trabalho lhe proporcionou resultou na gravação de seu primeiro LP, logo em 1970, pela Polygram. Intitulado apenas “Tim Maia”, o disco representou o triunfante ingresso daquele tijucano batalhador no hall das grandes revelações musicais do Brasil. Com sucessos estrondosos como “Azul da Cor do Mar”, “Coroné Antônio Bento” e “Primavera”, o LP ficou em primeiro lugar de vendas no Rio de Janeiro durante 24 semanas.
O talento do iniciante Tim logo chamou atenção de outros artistas do meio, especialmente da gaúcha Elis Regina, que o convidou para participar de um dueto para “These Are The Songs”, composição do cantor; o registro desse sublime encontro entre os dois pode ser conferido no disco “Em Pleno Verão”, de Elis. A partir de então, Tim Maia abraçou a disco music que tomava conta das baladas no inÃcio da década de 70 – seu segundo álbum, “Tim Maia Volume II” de 1971, trazia “Um Dia Eu Chego Lá”, “Você”, e a clássica “Não Quero Dinheiro (Só Quero Amar)”, um dos maiores hinos das discotecas brasileiras. “Tim Maia Volume III”, lançado no ano seguinte, confirmou a boa forma e o momento inspirado do cantor carioca com canções como “Razão de Sambar”, “Where Is My Other Half” e “Lamento”. Em 1973, o incansável Tim ainda gravou “Tim Maia Volume IV”, cujo carro-chefe era a romântica “Gostava Tanto de Você”.
Depois de um brilhante inÃcio de carreira, o cantor mergulhou numa de suas fases mais controversas e fascinantes. Tim se encantou com a Cultura Racional, ideologia fundada pelo guru brasileiro Manoel Jacinto Coelho que prega o equilÃbrio perfeito entre lógica e emoção e a existência de seres extraterrestres como irmãos dos humanos. Inspirado por sua conversão à seita Universo Em Desencanto, que divulga a Cultura Racional, o carioca passou a, ele mesmo, difundir esses pensamentos através de sua música. Entre 1975 e 1976, Tim Maia se transformou: passou a se vestir todo de branco, largou as drogas que consumia, teve um filho (Carmelo Maia), brigou com sua gravadora, e lançou dois discos antológicos – “Tim Maia Racional Vol. 1″ e “Tim Maia Racional Vol. 2″ – através de seu selo próprio, o Seroma. O repertório doutrinário, com letras confusas cheias de referências à filosofia da Universo Em Desencanto, não é tão levado em conta quando os dois álbuns da “fase Racional” são elevados ao status de cult pela crÃtica – são as melodias bem produzidas, transitando entre o funk e o soul, que conquistam o ouvinte em pérolas como “Imunização Racional (Que Beleza)”, “Rational Culture”, e “Que Legal”.
Com o tempo, porém, Tim Maia se desiludiu com a Cultura Racional e o guru Jacinto Coelho, deixando a seita e chegando a tirar de circulação as cópias dos volumes 1 e 2 de “Tim Maia Racional”, que pelos anos seguintes se tornaram itens de colecionador.
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Sebastião Rodrigues Maia nasceu no dia 28 de setembro de 1942, no bairro da Tijuca, Rio de Janeiro. Caçula dos doze filhos de Seu Altivo Maia e Maria Imaculada Maia, o garotinho trabalhava como entregador de marmitas para ajudar o pai, dono de uma pensão. Apelidado de Tião Marmiteiro pelos meninos da vizinhança, muitas vezes ele deixava seu compromisso para jogar futebol na rua. O moleque travesso surpreendeu sua numerosa famÃlia quando demonstrou interesse pela música, compondo melodias próprias ainda na infância; mas a iniciação musical daquele que seria o pai da soul music brasileira ocorreu na adolescência: aos 14 anos, o jovem Tim formou sua primeira banda, batizada de “Os Tijucanos do Ritmo”, na qual inicialmente tocava bateria, mas logo assumiu o violão. Essa empreitada musical, porém, durou apenas um ano.
Sua segunda investida musical foi em 1957, quando, depois de se familiarizar com o violão, fundou o grupo de rock “Os Sputniks”, que trazia outros nomes até então desconhecidos da música brasileira, como Arlênio Silva, Wellington, Edson Trindade e um certo Roberto Carlos. Dois anos depois, porém, Tim Maia decidiu largar tudo e viajar para os Estados Unidos, com apenas alguns dólares no bolso. Sem ter onde ficar na terra do Tio Sam, o aventureiro Tim, com 17 anos na época, teve a sorte de conhecer uma famÃlia suburbana que o acolheu. Essa inconsequente e irresponsável jornada do garoto carioca pelos EUA, porém, foi muito importante para o seu amadurecimento artÃstico – além de estudar inglês, Tim Maia entrou em contato com o rico universo da música negra norte-americana, chegando até a integrar uma banda local de rhythm n’ blues, intitulada “The Ideals”. Depois de quatro anos nos Estados Unidos, o jovem Tim foi preso por porte de maconha e deportado de volta para o Brasil.
Em 1968, o músico carioca finalmente foi descoberto pela indústria fonográfica, e lançou seu primeiro trabalho como profissional solo – um compacto gravado pela CBS trazendo as músicas “Meu PaÃs” e “Sentimento”, ambas composições próprias de Tim Maia.