HOMENAGEM: Estátua de Elis Regina será monitorada por câmera 24 horas por dia.
março 26th, 2009, por admin
Uma estátua em homenagem à cantora Elis Regina será inaugurada na tarde desta quinta-feira, dia 26 de março, na Usina do Gasômetro, em Porto Alegre. Segundo a prefeitura, a obra foi confeccionada em bronze e reproduz a cantora gaúcha em tamanho natural, sobre uma base formada em círculo, em granito verde e preto, que lembram um LP. A imagem foi feita pelo artista plástico José Pereira Passos e doada à administração municipal.
Para evitar problemas, a estátua de Elis será monitorada 24 horas por dia, por uma das duas câmeras de 360 graus instaladas na parte externa da Usina do Gasômetro. “Desde que reformamos o local, a incidência de vandalismo é nula. Quem protege a usina é o cinturão de pessoas que a frequentam. A câmera tem um caráter educativo e tranquilizador”, disse o diretor da Usina, Caco Coelho.
Nesta manhã, oito funcionários de uma empresa terceirizada terminavam o polimento da estátua (foto ao lado: Ronaldo Bernardi/Zero Hora/Ag.RBS). Segundo Waleska Helena Silveira Mattos, que coordenou os trabalhos, o pedestal recebeu a última pintura com tinta especial para concreto. “É um presente estar limpando a peça, deixando bonita para a hora da inauguração”, disse.
A inauguração da estátua faz parte da programação do aniversário de 237 anos da capital gaúcha, comemorados nesta quinta. De acordo com a prefeitura, após a solenidade, haverá show do músico Geraldo Flach com a cantora Lúcia Helena, interpretando canções do repertório de Elis.
- ESPECIAL -
A Mais Ação apresentou o especial “Simplesmente Elis”, que contou em postagens especiais no Blog Mais Ação a trajetória de vida da brilhante cantora Elis Regina. Clique aqui e confira tudo que foi publicado.

Além de Elis Regina, outra grande cantora do cenário musical brasileiro naquela época era Rita Lee, que durante muito tempo integrou a banda de rock Os Mutantes. Lee também se tornou grande amiga de Elis, chegando a apelidá-la de “Elis-cóptero”. Um dos momentos mais sublimes dessa amizade foi registrado pela TV Bandeirantes, que gravou um dueto das cantoras para a música “Doce de Pimenta” (composta por Rita Lee em homenagem a Elis) e o exibiu num especial televisivo de 1979. A gauchinha também mantinha boas relações com a baiana Gal Costa, que também despontava como fenômeno da música nacional.
Em 1982, a Pimentinha começava a trabalhar o repertório de um novo disco, que sairia pela gravadora Som Livre. Mas no dia 19 de janeiro, às 11h45, Elis Regina morria aos 36 anos vítima de intoxicação exógena aguda, provocada por overdose de cocaína, tranquilizantes e bebida alcoólica. De repente, o Brasil tinha perdido uma de suas mais ilustres artistas, a jovem gaúcha que encantou, revolucionou e ajudou a lapidar a música popular brasileira. Com a saudade, Elis deixou um legado que permanece vivo na nossa cultura. Sua voz, que equilibrava técnica e lirismo com perfeição, e sua atitude performática, que transformava cada show num espetáculo emocionante, influenciaram várias cantoras que viriam nos anos seguintes, de Adriana Calcanhoto a Daniel Mercury, de Leila Pinheiro a Vanessa da Mata. A própria filha da Pimentinha, Maria Rita, se consagrou como um dos nomes mais promissores da atual safra da MPB ao lançar seu primeiro disco em 2003.
Ela nasceu em 1945 com um dom. Aos 18 anos, descobriu que poderia viver desse dom, explorá-lo para emocionar pessoas em todo o mundo. Sua carreira de duas décadas se confunde com a história da música brasileira, suas canções foram trilha sonora da vida de toda uma nação. Ela era conhecida como Pimentinha, Elis-cóptero, ou, simplesmente, Elis. A eterna Elis Regina.
Este foi o especial “Simplesmente Elis”, que contou para você a belíssima trajetória de vida da talentosa cantora Elis Regina. 

Dois anos depois, em 1978, a Pimentinha participaria de um momento importantíssimo na história dos direitos autorais dos músicos no Brasil. Ao lado de nomes como Martinho da Vila, Marcos Vinícius e o marido César Camargo Mariano, Elis funda a ASSIM (Associação de Intérpretes e Músicos). Naquele mesmo ano, a cantora levaria seu espetáculo mais recente, “Transversal do Tempo”, para a Europa. Ciente da visão estereotipada dos europeus em relação à música e à cultura brasileiras, Elis inicia seu show no Teatro Lírico, de Milão, com o discurso: “Carmen Miranda morreu nos anos 50. A Europa precisa entender que não somos um povo só de carnaval. Temos a nossa tristeza. E eu não vim aqui para fazer concessões. Vou cantar exatamente o que canto em meu país”.
Depois de conquistar o merecido reconhecimento em todo o Brasil, a talentosa cantora queria fazer bonito no exterior. 1968 marcou a investida de Elis numa carreira internacional, com apresentações nas TVs sueca, inglesa, holandesa, suíça e belga. Além disso, a Pimentinha representou nosso país no II Mercado Internacional do Disco e da Edição Musical, em Cannes, na França, onde fez um show calorosamente aplaudido por 2 mil pessoas. Em Paris, naquele mesmo ano, a revelação brasileira se apresentaria duas vezes no Teatro Olympia, uma marca inédita segundo noticiou a revista “Veja” de 23/10/68: “Elis Regina quebra esta quarta-feira um famoso tabu parisiense cantando no Teatro Olympia. Os severos regulamentos do importante music hall francês só permitem a cada artista uma exibição por ano, e este será o segundo concerto de Elis Regina no Olympia em 1968″. Pois é, o prazer de ver e ouvir a gauchinha estava acima de qualquer regra.
Ao longo do traumático período da ditadura militar no Brasil, instaurada em 1964, o temperamento forte de Elis não a deixou se sentir intimidada e a cantora sempre aproveitava a exposição na mídia para criticar o governo totalitário. Essa postura politicamente engajada seria sustentada por toda a carreira artística da Pimentinha. Sua interpretação emocionante de “O Bêbado e a Equilibrista”, de João Bosco e Aldir Blanc, consagraria esta canção como o “hino da anistia”. Ainda em 1968, Elis lança o LP “Elis Como e Porque”, e ainda canta duas composições do Rei do futebol Pelé: “Vexamão” e “Perdão Não Tem”. O ano seguinte foi especial para a gaúcha: nasceu João Marcelo, seu primeiro filho com o produtor musical e compositor Ronaldo Bôscoli. O matrimônio terminaria em 1972, e dois anos depois, Elis se casaria com o pianista César Camargo Mariano, com quem teve mais dois filhos: Pedro, em 1975, e Maria Rita, em 1977.
Os anos 70 marcam o aprimoramento técnico vocal de Elis, evidenciado pelas grandes interpretações que a cantora executou ao longo da década. O álbum “Em Pleno Verão”, de 1970, trazia o grande sucesso “Vou Deitar e Rolar (Quaquaraquaquá)”, de Baden Powell e Paulo César Pinheiro, e “These Are The Songs”, composta pelo amigo Tim Maia. No mesmo ano, Elis ainda grava um compacto duplo, através do qual o Brasil conheceu a clássica “Madalena”, faixa composta por Ivan Lins e Ronaldo Monteiro. A canção se tornou uma das mais emblemáticas performances vocais da Pimentinha.


Apresentações intimistas em boates como Little Club e Bottle’s, no Rio, e shows no Colégio Rio Branco e na Associação de Moças da Colônia Sírio-Libanesa, em São Paulo, garantiram a visibilidade que Elis Regina precisava para decolar rumo ao estrelato. Ainda em 1964, a cantora conheceria o produtor Solano Ribeiro, que mais tarde organizaria o I Festival de Música Popular Brasileira na TV Excelsior, vencido pela própria Elis e sua interpretação da canção “Arrastão”, de Edu Lobo e Vinícius de Moraes. Solano foi o primeiro namorado da gauchinha, num relacionamento conturbado que se desmanchou depois de um aborto realizado às escondidas por ela.
Em 1965, a ousada cantora, que já era reconhecida como sopro de novidade na música popular brasileira, se une a Jair Rodrigues para lançar o álbum “Dois na Bossa”, que foi tão bem recebido pelo público (se tornou o primeiro disco brasileiro a vender um milhão de cópias) que a TV Record decidiu contratar a dupla para estrelar o programa semanal “O Fino da Bossa”. A exposição na televisão causou grande impacto na vida da jovem artista, e a fez declarar, na época: “Você sabe lá, o que é, com 20 anos, sair pra rua e ser reconhecida? Você fica louca, se achando Deus”. A essa altura, Elis já era aclamada como uma das maiores vozes femininas do País e detinha o maior cachê do showbusiness brasileiro.
O álbum “Elis”, de 1966, trouxe mais um punhado de suas interpretações inigualáveis para canções como “Carinhoso”, de Pixinguinha e João de Barro, “Boa Palavra”, de Caetano Veloso, “Lunik 9″, de Gilberto Gil, e “Canção do Sal”, do ainda desconhecido Milton Nascimento. Mesmo depois que a TV Record decidiu tirar “O Fino da Bossa” de sua programação, devido a quedas na audiência, a Pimentinha ainda apareceu na televisão comandando três edições do programa “Frente Única – Noite da MPB”, do mesmo canal.
Desde cedo, Elis Regina, ou “a Pimentinha”, como seria apelidada por Vinícius de Moraes, demonstrou afinidade com o universo musical. Já aos 11 anos de idade, em 1956, o dom de cantar aflorava em sua voz doce, que a tornou destaque do elenco fixo do “Clube do Guri”, programa infantil da Rádio Farroupilha de Porto Alegre. Três anos depois, a jovem Elis assinou seu primeiro contrato profissional, firmado com a Rádio Gaúcha, para se apresentar no tradicional “Programa Maurício Sobrinho”.
Aos 16 anos, Elis Regina canaliza seu talento precoce no álbum “Viva a Brotolândia”, de 1961. Neste seu primeiro LP, canções como “Baby Face”, “Samba Feito para Mim” e “Dor de Cotovelo” já traziam o gingado envolvente das melodias e os compassos musicais requintados que se tornariam aspectos marcantes do seu estilo. Depois da fama repentina que a tornou conhecida em toda a região Sul do País, a garota-prodígio lançou, logo no ano seguinte, o disco “Poema de Amor”, que lhe rendeu o prêmio de melhor cantora de 1962, entregue no Salão de Atos da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Eram apenas os primeiros passos de uma carreira memorável.
