MEMÓRIA MAIS AÇÃO: Uma artista completa.
julho 21st, 2009, por admin


Depois de passar por altos e baixos nos anos 80, Rita Lee recuperou a popularidade e o prestÃgio nos anos 90. Depois de receber prêmios por atuações em filmes, a ruiva participa das novelas “Top Model” e “Vamp”, ambas escritas por Antonio Calmon e exibidas na Rede Globo. Em “Vamp”, a roqueira-vampira Lita Ree faz até dueto com a personagem Natasha (Cláudia Ohana) na música “Doce Vampiro”. Com o sucesso na tevê, Rita ganhou um programa próprio em 1991: o “TVLeezão”, exibido durante seis meses na MTV Brasil, com o mesmo espÃrito de “Rádio Amador”.

Paralelamente aos trabalhos na televisão, Rita tomava decisões sobre os rumos de seu futuro musical: a cantora decide se desfazer temporariamente de sua parceria profissional com Roberto de Carvalho e cai na estrada com o projeto de voz-e-violão “Bossa N’ Roll”, uma bem sucedida turnê que se tornou o show mais assistido de 1991 e ainda lançou a tendência que estouraria ao longo da década: os discos acústicos. Em uma série de apresentações intimistas e envolventes, Rita relembrava seus maiores sucessos acompanhada no palco por Alexandre Fontanetti. O disco que registrou a turnê “Bossa N’ Roll” vendeu 350 mil cópias. Em 1993, a cantora mantém a maré alta com o álbum “Rita Lee”, cuja sonoridade marca o retorno à tradição roqueira da paulista.

Mas mesmo desfrutando de uma fase criativamente produtiva, Rita Lee viveu alguns maus bocados nos anos 90. Ao longo das décadas de 70 ela se envolveu em problemas com a polÃcia por porte de drogas; nos anos 80, foi internada devido ao uso de drogas seguido de stress; e em 1995, semanas antes de abrir o show dos lendários Rolling Stones, foi derrubada por uma overdose que chegou a deixá-la em coma, preocupando seus fãs e o vocalista Mick Jagger, já que o próprio rockstar havia convidado a cantora para se apresentar antes dos Stones. Mas Rita Lee se recuperou a tempo e fez um grande show. Em dezembro de 1996, ela se casa legalmente com Roberto de Carvalho, e em 1997 sai em turnê para divulgar o álbum “Santa Rita de Sampa”, com o filho Beto Lee incorporado à banda. No ano seguinte, lança o disco “Acústico MTV” (com 650 mil cópias vendidas), comemorando seus 50 anos e voltando a manter sua produtividade artÃstica com obras de estúdio competentes e bem produzidas. Dentre as recentes conquistas de Rita, estão a proeza de se sagrar a primeira mulher e artista pop a ganhar o Prêmio Shell de Música Brasileira, além de ser homenageada pelo tradicional Prêmio Sharp em 1997.

Rita Lee chegou aos anos 2000 no patamar em que merecia: artista de sólida carreira, cujo passado respeitável se mistura com a própria história do rock no Brasil, a cantora conquista novos fãs a cada novo disco, reafirmando a relevância cultural
de seu trabalho e mantendo a essência de sua personalidade irreverente. Em julho de 2000, a ruiva lança seu 27º álbum, “3001″, produzido por Roberto de Carvalho, trazendo influências de música eletrônica e o megahit “Erva Venenosa”. A obra vence o Grammy Latino de 2001 na categoria Melhor Disco de Rock. Em 2002, a turnê “Yê Yê Yê de Bamba”, apresentando releituras de canções dos Beatles pelo Brasil e América Latina. No mesmo ano, passa a participar do programa feminino “Saia Justa”, da GNT, ao lado da atriz Marisa Orth e da escritora Fernanda Young. Em outubro de 2003, o disco “Balacobaco” emplaca sucessos radiofônicos como “Amor e Sexo”, composto em parceria com Roberto e o jornalista Arnaldo Jabor, e ganha Disco de Ouro em pouco mais de um mês de lançamento. Logo depois, a cantora lança o projeto “MTV Ao Vivo”, gravado em 2004 com convidados especiais como Zélia Duncan e Pitty. Em 2005, Rita volta ao canal pago GNT para apresentar, ao lado do marido, o programa Madame Lee; no final do mesmo ano, se torna vovó com o nascimento de Izabella, filha de Beto Lee. Com 400 composições ao lado de mais de 4 décadas de carreira, Rita Lee Jones Carvalho é a maior cantora da música brasileira contemporânea, respeitada pelos crÃticos, admirada pelos artistas mais novos e adorada pela legião de fãs. Sua versatilidade transcende as barreiras do rock, e como boa aprendiz dos ideais tropicalistas, Rita continua ousando a cada novo álbum, explorando os terrenos da bossa nova e da MPB com a atitude de uma eterna roqueira e a competência de uma artista completa.

Você acompanhou o especial “Cor de Rosa Choque”, do projeto “Memória Mais Ação”, que contou a história da cantora Rita Lee. Clique aqui para conferir tudo que já foi publicado neste especial.


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Distante da intensa vida com Os Mutantes, durante a qual fugiu da polÃcia, desafiou a censura da ditadura militar, fez parte de comunidades hippies e experimentou diversos tipos de drogas, Rita Lee Jones montou a banda Tutti-Frutti em 1973, dando inÃcio a uma produtiva carreira solo que a consagraria como a madrinha do rock nacional e uma das vozes femininas mais versáteis da música brasileira. Contratado pela gravadora Som Livre, o grupo Rita Lee & Tutti-Frutti lança, em 1974, o disco “Atrás do Porto Tem uma Cidade”, que trazia as canções “De Pés no Chão”, “Pé de Meia” e o hit “Menino Bonito”. A popularidade e o reconhecimento de público e crÃtica vieram com “Fruto Proibido”, lançado em 1975 emplacando os sucessos “Esse Tal de Roque Enrow”, “Agora Só Falta Você” e “Ovelha Negra”. Marcado pela personalidade e irreverência da cantora, o álbum é considerado até hoje como uma das obras essenciais do rock brasileiro.

Em 1977, grávida de três meses de Beto Lee, a cantora foi acusada por porte e consumo de maconha, e ficou durante um ano em prisão domiciliar, mas teve permissão para fazer shows. Nesta época, compôs a canção “Arrombou a Festa” em parceria com Paulo Coelho e a lançou em um compacto que vendeu 200 mil cópias. Livre da prisão, Rita foi convidada pela amiga Elis Regina para participar de um especial na Bandeirantes, onde as duas interpretaram “Doce de Pimenta”, composição da ruiva em homenagem à cantora gaúcha. Com Roberto de Carvalho incorporado à sua banda, Rita Lee viaja com Gilberto Gil na turnê “Refestança”, que posteriormente ganha registro em disco. Em 1979, a cantora grava o álbum “Rita Lee”, no qual expõe seu lado romântico e cujo carro-chefe é a música “Mania de Você”, o primeiro grande sucesso da produtiva parceria com Roberto de Carvalho, que mais uma vez reafirmou o poder e a influência de Rita sobre a música pop brasileira. No ano seguinte, a canção “Lança Perfume” conquista tanta popularidade que ultrapassa os limites das rádios brasileiras: figurou por mais de um mês no topo das paradas da “Billboard”, nos Estados Unidos, e ainda virou hit nas boates europeias. Rita Lee estava indo onde o pop brasileiro nunca havia chegado, seja nos shows megaproduzidos, seja nas cifras registradas pelas vendas de seus discos.
Mundialmente respeitada e nacionalmente amada, a carismática ruiva de São Paulo chega aos anos 80 como uma das maiores artistas brasileiras do momento. Além de uma memorável participação no especial “Mulher 80″, da Rede Globo, cujo objetivo era discutir o papel feminino na sociedade da época, a cantora atravessa a década entre altos e baixos. Abalada por problemas pessoais (a morte de sua irmã mais velha e da amiga Elis Regina, além do debilitado estado de saúde do pai), Rita Lee se recolhe da vida profissional por um tempo. Em 1983, chegou a lançar um disco mas nem se preocupou em divulgá-lo. A crÃtica e o público não aprovaram o novo trabalho, e a cantora decidiu passar todo o ano seguinte sem qualquer aparição pública. Depois de uma tÃmida apresentação no festival Rock In Rio, em 1985, a ruiva reaparece em cena com um álbum inspirado, “Rita e Roberto”. Em 1986, depois de romper contrato com a Som Livre, ela adota o nome de Lita Ree, escrevendo e apresentando o programa “Rádio Amador”, veiculado pela rádio 89FM, de São Paulo, e posteriormente pela Rádio Cidade, do Rio de Janeiro. A atração abria espaço para raridades de colecionadores e fitas demo de bandas de garagem.

 
Nascida no dia 31 de dezembro de 1947 em São Paulo, Rita Lee Jones é a caçula das três filhas de Charles Fenley Jones e Romilda Padula, com ascendência de norte-americanos – por parte de pai – e italianos – por parte de mãe. Durante a infância, a garotinha demonstrava ser bastante sonhadora em relação ao seu futuro profissional: imaginava ser veterinária e até atriz de cinema, mas paralelamente desenvolvia um crescente interesse pela música, alimentado pelas canções embaladas no piano de sua mãe. A veia artÃstica de Rita começou a ser estimulada com aulas ministradas pela renomada concertista Magdalena Tagliaferro, e aquela paixão pela música foi ganhando cada vez mais força com o passar dos anos; a chegada da adolescência trouxe a rebeldia e o despertar da Rita roqueira: a sardentinha costumava sair de casa pela noite para tocar bateria nas festinhas da escola, e tempo depois ainda criou coragem para pedir aos pais um kit do instrumento de presente. A ruivinha elétrica deixava claro que sua praia não era a música erudita.
Foi nos anos 60 que Rita Lee concentrou seu talento musical e começou a lapidá-lo. Depois de aprender a tocar baixo, em 1963 a garota formou um trio feminino de adolescentes, o Teenage Singers. Um ano depois, ela e suas parceiras conheceram o trio masculino Wooden Faces, e a junção das bandas resultou no Six Sided Rockers, que mudou seu nome para O’Seis e chegou a gravar um compacto com as canções “Suicida” e “Apocalipse”. Com a posterior saÃda de três membros, sobraram Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias, que rebatizaram a banda de O Konjunto e, tempo depois, por sugestão do cantor Ronnie Von, adotaram o nome Os Mutantes. Estava formada uma das maiores e mais cultuadas bandas de rock do Brasil.
Rita chegou a estudar Comunicação Social na Universidade de São Paulo mas largou o curso ainda no primeiro perÃodo. Em seu novo grupo musical, Os Mutantes, a jovem roqueira se esbaldava cantando, tocando flauta e percussão, e vez ou outra se arriscando no banjo e no sintetizador. Em 1967, o trio de paulistas acompanhou Gilberto Gil no prestigiado III Festival de Música Popular Brasileira, e juntos conquistaram o segundo lugar na competição com a canção “Domingo no Parque”, uma das músicas que lançou o Tropicalismo, movimento que revolucionaria a MPB incorporando elementos do rock, da música erudita e do cancioneiro popular regional. No mesmo ano, seria lançado o disco-manifesto “Tropicália ou Panis Et Circencis”, que trazia Os Mutantes ao lado de Caetano Veloso, Tom Zé, Gilberto Gil, Gal Costa e Nara Leão. Impulsionados pela explosão do movimento tropicalista, Rita, Arnaldo e Sérgio lançaram seu primero disco em 1968, trazendo canções como “Panis Et Circensis”, “Bat Macumba”, “Baby” e “Ave Gengis Khan”. A atitude irreverente, rebelde e debochada do trio de jovens roqueiros chocou o Brasil, e Os Mutantes conquistaram fãs na mesma medida em que colecionaram desafetos. Rita Lee ainda participou de outros discos da banda, como “A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado”, “Jardim Elétrico” e “Mutantes e Seus Cometas no PaÃs dos Baurets”, mas saiu do grupo em 1972 devido a divergências musicais e abalos no relacionamento com Arnaldo, com quem havia se casado no ano anterior. A ruiva, então, decidiu cair de cabeça na carreira solo.
