MEMÓRIA MAIS AÇÃO: O Gigante das Quadras.
novembro 20th, 2009, por admin


Nascido no dia 16 de fevereiro de 1958 em Natal (RN), Oscar Daniel Bezerra Schmidt, o “Mão Santa”, é um dos maiores atletas brasileiros da História, e definitivamente o maior nome do basquete nacional de todos os tempos. Do alto de seus 2,05m de altura, este verdadeiro gigante das quadras é considerado um dos mais talentosos jogadores de basquete que não atuaram na NBA, a tradicional liga norte-americana do esporte, por onde passou o Ãdolo mundial Michael Jordan – em 1984, Schmidt até chegou a ser convidado pelo New Jersey Mets, mas preferiu permanecer com status de amador e continuar defendendo o Brasil nas quadras.
A paixão deste esportista nato pelo basquete veio logo cedo. Aos 13 anos, quando media 1,85m de altura, o jovem potiguar viaja a BrasÃlia onde passou a morar com a famÃlia e começou a jogar pelo clube Unidade Vizinhança. Logo em 1974, Oscar se muda para São Paulo, onde ganha visibilidade treinando na equipe infanto-juvenil do Palmeiras e conquista seu lugar na seleção juvenil brasileira. Após ser eleito o melhor pivô sul-americano da categoria em 1977, aos 19 anos o atleta é convocado para a seleção principal verde e amarela, e no mesmo ano já se sagra campeão sul-americano no Chile.

Faturando a medalha de bronze no Mundial das Filipinas em 1978 com o Brasil, o jogador deixa o Palmeiras para defender o time paulista SÃrio Libanês ao lado do técnico Cláudio Mortari, com o qual levaria em 1979 a Copa William Jones, o mundial interclubes, um dos tÃtulos mais importantes de sua trajetória profissional. Em 1982, o “Mão Santa” deixa o SÃrio e, após uma rápida atuação pelo América do Rio, é levado pelo técnico Bogdan Tanjevic para o clube italiano Caserta, onde desenvolve suas habilidades por quatro anos e se torna um dos nomes mais cobiçados pelos times da Europa.

Em sua fase brilhante na Itália, Oscar acumulou recordes notáveis: jogando durante 11 anosno paÃs, o cestinha brasileiro se tornou o primeiro jogador a marcar 10.000 pontos no Campeonato Italiano, além de registrar o recorde de 13.957 pontos na liga local e de 66 numa só partida, quando atuava pelo Fernet Branca, de Pavia.
Depois de marcar 169 pontos nas OlimpÃadas de Los Angeles, em 1984 (o que não impediu o Brasil de atingir apenas o nono lugar), o “Mão Santa” conquista, em 1987, seu tÃtulo mais querido: o Pan-Americano de Indianápolis, nos Estados Unidos, após enfrentar os norte-americanos na final e desbancá-los por 120 a 115. Até aquele momento, nenhuma seleção tinha derrotado os Estados Unidos em seu território, e nenhum atleta havia marcado mais de 100 pontos contra o time norte-americano.

Nos Jogos OlÃmpicos de Seul, em 1988, o maior astro do basquete nacional continuou a quebrar recordes e surpreender o mundo. Apesar da seleção brasileira terminar a competição na quinta posição, Oscar bateu mais de 10 recordes, dentre os quais o de mais pontos marcados numa partida olÃmpica, mais pontos numa OlimpÃada, mais cestas de 3 pontos na competição, mais cestas de 2 pontos num jogo, além de se tornar o cestinha da competição, com 338 pontos.
Após as OlimpÃadas de Barcelona, quando se tornou novamente cestinha com 198 pontos, Oscar passou a jogar pelo espanhol Forum, de Valladolid, mas retorna ao Brasil em 1995 para atuar no Corinthians, com o qual vence o oitavo tÃtulo brasileiro da carreira. Para fechar sua participação em OlimpÃadas, o já experiente e consagradÃssimo “Mão Santa” é convidado pelo técnico Ari Vidal para participar dos Jogos de Atlanta em 1996. Apesar do Brasil ficar apenas na sexta posição da competição, Oscar conquistou pela terceira vez o posto de cestinha, com 219 pontos, e se igualou ao recorde do porto-riquenho Teófilo da Cruz e do australiano Andrew Gaze ao acumular cinco OlimpÃadas no currÃculo.

Em 1997, o “Mão Santa” integra a equipe do Banco Bandeirantes, onde passa a atuar ao lado do ex-colega de seleção Marcel. Vestindo a camisa do clube, o atleta ultrapassa a marca dos 40 mil pontos em sua carreira, superado apenas pelo mÃtico jogador norte-americano Kareem Abdul-Jabbar e seus 46.725 pontos. Porém, em 1999, Oscar deixa o circuito paulista e parte para o Rio de Janeiro, contratado pelo Flamengo. No tradicional rubro-negro carioca, o atleta somou mais dois campeonatos estaduais para o currÃculo e, confessando ser flamenguista, aposentou-se no time, não sem antes realizar seu desejo de jogar ao lado do filho, Felipe Schmidt. Em sua despedida, Schmidt declarou: “O único arrependimento que tenho na vida, foi não ter vestido este manto sagrado antes”.
Atualmente, o ex-jogador promove palestras motivacionais pelo paÃs e participa da organização do Novo Basquete Brasil (NBB), nova competição nacional do esporte. A Mais Ação Entretenimento fez uma entrevista exclusiva com Oscar Schmidt, que você acompanha abaixo:

Mais Ação – Que lembranças você tem de sua infância na cidade de Natal?
Oscar – A melhor infância que qualquer um pode ter, pe no chão com a segurança da base naval onde eu morava
Mais Ação – Em que momento da sua vida você decidiu que seria jogador de basquete profissional?
Oscar – Com 13 anos lá em BrasÃlia, graças também ao incentivo dos meus pais e meu padrinho Alonso.
Mais Ação – Se você pudesse destacar três grandes momentos de sua vida dentro e fora das quadras, quais seriam?
Oscar – O nascimento dos meus filhos, meu casamento e a vitória no Pan de 87 lá dentro de Indianápolis.
Mais Ação – De que temas você costuma tratar em suas palestras motivacionais?
Oscar – São 10 tipos diferentes, para qualquer segmento de trabalho, e em todas trato da minha vida e experiência com o basquete.
Mais Ação – Que conselhos você daria para essa nova geração de atletas brasileiros do basquete?
Oscar – Que treinem muito, mas muito mesmo… E quando estiverem bem cansados…Que treinem mais um pouquinho.
Mais Ação – Em entrevista à revista “Veja” em 1998, você declarou que as três coisas mais importantes da vida são a famÃlia, a religião e o paÃs. Qual a importância de cada um desses elementos na sua vida?
Oscar – É bem lógico, a famÃlia te protege e te dá carinho, a religião te reforça a confiança e o paÃs é tua casa, teu refúgio.
Mais Ação – Qual a maior lição que o basquete (o esporte em geral) te ensinou?
Oscar - Que nada é impossÃvel se você quiser de verdade, mas de verdade mesmo!
