
Bom dia!!!
A Redação está animada com a proximidade da estréia do PodCast Mais Ação, que acontecerá no próximo dia 01 de novembro, às 14h, no Mais Ação On Line. Enquanto esse dia não chega vamos a uma dica muito especial de leitura para você.
A menos de dois meses do 101º aniversário, o arquiteto Oscar Niemeyer lança um livro de crônicas e alguns desenhos, em que alterna textos pessimistas e otimistas. O otimismo é recente; o pessimismo, antigo.
“Crônicas”, título da obra de Niemeyer, reúne 28 artigos, quase todos publicados em jornais e revistas “durante as últimas décadas”, conforme a apresentação do autor. Poucos textos foram escritos especialmente para o livro. A edição não informa as datas em que os artigos saíram na imprensa nem revela quais textos são inéditos. A falha desagradou a Oscar Niemeyer. “O ruim no livro é que não marcou as datas. De modo que, quando é coisa antiga, eu me sinto mais pessimista nas respostas. Respondo de maneira diferente. (…) Mas quando é coisa mais recente, minha posição é mais de esperança. O país está caminhando bem, o Lula está cumprindo o dever dele. Ele é amigo do povo, tem apoio popular, ele participa bem da luta política” disse Niemeyer.
Outra razão para o neo-otimismo de Oscar Niemeyer (foto: Bruno Domingos/Reuters), segundo ele mesmo, é a mudança que vê na sociedade norte-americana. “Conheço bem os Estados Unidos, conheço bem o povo americano, o que tem de bom, o que tem de ruim. Houve um tempo em que o negro não entrava em certos ônibus, a discriminação social era violenta. Isso está mudando. O apoio que estão dando ao negro é uma prova de que o povo está evoluindo na luta contra a discriminação racial, que era a pior possível. [Obama] é um negro que está sendo aceito pelo povo americano” declarou o arquiteto brasileiro.
Em “Crônicas”, Niemeyer lembra amizades antigas (Darcy Ribeiro, Leonel Brizola e João Saldanha, entre outros), discute a arquitetura atual e antiga e reclama a necessidade de interromper o crescimento desordenado de Brasília, uma de suas grandes obras.
O arquiteto repete, cada vez mais, que os estudos recentes de filosofia e cosmologia firmaram nele a convicção de que, diante do universo, “o ser humano, no final, não tem a menor importância”. “Eu acho que é preciso a pessoa chegar ao ponto de ter prazer em ajudar o outro. A vida é um sopro” disse Oscar Niemeyer.
Outra preocupação manifestada pelo arquiteto é a juventude. “O jovem sai da escola como especialista, só sabe os assuntos da profissão. Da luta política, (…) de fazer a vida mais justa para todos, ele não participa, não está preparado para isso. O momento agora é de esclarecer a juventude, que não lê, não participa de nada, entra na vida sem conhecer o bem e o mal” constatou Niemeyer.
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A REDAÇÃO
