MEMÓRIA MAIS AÇÃO: Duas faces de uma mesma moeda.
maio 20th, 2009, por admin

Em 1992, o Barão Vermelho estava na crista da onda: depois de ganharem o Prêmio Sharp de “Melhor Conjunto de Rock” e serem eleitos a melhor banda do festival Hollywood Rock, os cariocas sentiam novamente o gostinho do sucesso. Naquele mesmo ano, o grupo gravava o disco “Supermercados da Vida”, que trouxe participações de artistas como Guilherme Arantes e Pauliho Moska e seguiu o caráter acústico da obra anterior, “Na Calada da Noite”. Músicas como “Flores do Mal” e “Pedra, Flor e Espinho” rechearam o repertório consistente deste álbum, em que o baixista Dadi foi substituÃdo por Rodrigo Santos, que havia tocado com o roqueiro Lobão. Dois anos depois, em 1994, o Barão lança “Carne Crua”, outro disco bastante cultuado dentre os fãs do rock nacional. Além da parceria entre Frejat e Raul Seixas na faixa “Pergunte ao Tio José”, o álbum ainda emplacou as músicas “Meus Bons Amigos”, “Guarde Essa Canção” e “Daqui Por Diante”.

Em 1996, mantendo uma base sólida de fãs e uma sequência produtiva de discos, o Barão Vermelho grava “@lbum”, obra repleta de versões modernizadas para músicas que os integrantes do grupo ouviam na infância. Os destaques do disco vão para “Perdidos na Selva”, do New Wave, e o hit “Vem Quente Que Eu Estou Fervendo”, canção da Jovem Guarda que ganhou nova vida e estourou nas rádios com o groove e o vigor que só o Barão poderia gerar.
Confira abaixo um vÃdeo para a música “Vem Quente Que Eu Estou Fervendo”, no suingue do Barão Vermelho.
Mantendo o intervalo de dois anos entre um disco e outro, o Barão lança o ousado “Puro Êxtase” em 1998. Repleto de elementos oriundos da música eletrônica, o álbum não foi tão bem recebido pelo velhos fãs, que queriam a velha pegada rock n’ roll, mas ajudou a banda a conquistar novos admiradores. A canção que dá nome ao disco, por exemplo, foi, ao lado de “Vem Quente Que Eu Estou Fervendo”, o maior sucesso radiofônico da banda na década de 90. No ano seguinte, em 1999, o Barão lançou o CD “Balada MTV”, gravado no programa de televisão homônimo. A obra trouxe versões repletas de percussão, cordas e sopro para grandes sucessos da carreira dos cariocas, como “Pedra, Flor e Espinho”, “O Poeta Está Vivo”, “Por Você”, e “O Tempo Não Pára”, lembrando o falecido Cazuza.

Em 2001, depois de se apresentarem no festival Rock In Rio 3 – Por Um Mundo Melhor, os membros do Barão decidiram pausar as atividades da banda para se dedicarem a projetos pessoais. Foi a partir dali que o vocalista Frejat incursionou pela carreira de cantor solo.
A reunião só ocorreria em 2004, quando o grupo lança “Barão Vermelho”, disco que representou um retorno à s raÃzes sonoras da banda, com petardos essencialmente rock n’ roll como “Cuidado” e “A Chave da Porta da Frente”. Mas depois de gravar um “MTV Ao Vivo”, no qual o destaque foi uma versão de “Codinome Beija-Flor” com participação especial de Cazuza (através de uma gravação, obviamente), o Barão anunciou sua segunda pausa em 2007, para novamente retomarem projetos solo. Não há previsão de retorno.
O Barão Vermelho nasceu de um sonho partilhado entre um bando de moleques do Rio de Janeiro que amavam o bom e velho rock n’ roll, e se tornou um dos grupos mais emblemáticos da década de 80, considerado hoje uma verdadeira instituição da música pop nacional. A inigualável parceria Cazuza-Frejat produziu grandes sucessos radiofônicos com sensibilidade lÃrica e apelo para as massas, e influenciou toda a geração do rock brasileiro que veio em seguida. Os fãs aguardam ansiosos pela próxima investida dos roqueiros cariocas, mas Frejat e Cia não precisam provar mais nada – com uma discografia cultuada e uma trajetória admirável, eles já conquistaram o sonho de ser rockstars.

Este foi o especial “As Duas Faces do Barão”, do projeto “Memória Mais ação”, que homenageou a banda Barão Vermelho. Para conferir tudo que já foi publicado neste especial, clique aqui.



álbum da banda, “Rock n’ Geral”, com canções fortemente influenciadas pelo blues e uma maior participação dos outros integrantes do grupo nas composições. O disco foi bastante elogiado pela crÃtica, mas a qualidade das músicas não refletiu nos números: “Rock n’ Geral” não passou das 15 mil cópias vendidas. Ainda em 1987, outra despedida: o tecladista MaurÃcio Barros deixa o Barão Vermelho, que ganha os reforços do percussionista Peninha e do guitarrista Fernando Magalhães.
Com a nova formação (que mantinha apenas três integrantes originais), o Barão Vermelho tratou de botar a mão na massa: em 1988, lançou o agitado disco “Carnaval”, que misturou rock pesado e letras românticas. A música “Pense e Dance” estourou nas rádios e na TV, onde era veiculada na trilha sonora da novela global “Vale Tudo”. Finalmente o Barão estava no topo de novo, e o sucesso de seu quinto álbum deu ao grupo a oportunidade de abrir a turnê do cantor Rod Stewart no Brasil. Embalados pelo resgate de sua popularidade, os roqueiros produziram seu primeiro disco ao vivo – “Barão Ao Vivo”, de 1989, foi gravado durante três dias em São Paulo, trazendo performances de sucessos da banda como “Bete Balanço” e “Pro Dia Nascer Feliz”, além de uma versão de “Satisfaction”, dos Ãdolos Rolling Stones. No mesmo ano, a Som Livre oportunamente lançou a coletânea “Os melhores momentos de Cazuza e o Barão Vermelho”, que dentre os sucessos absolutos do grupo trazia canções raras como “Eclipse Oculto” e “Eu Queria Ter Uma Bomba”, antes encontrada somente na trilha sonora da novela “A Gata Comeu”, de 1985.
constantes brigas com Frejat, o baixista Dé anuncia sua saÃda, sendo substituÃdo por Dadi, ex-membro dos cultuados Novos Baianos. Curiosamente, MaurÃcio Barros retorna aos teclados como músico convidado nas turnês do Barão. No mesmo ano, os roqueiros cariocas gravaram “Na Calada da Noite”, álbum que privilegiou arranjos acústicos e trouxe a famosa música “O Poeta Está Vivo”, numa clara referência a Cazuza, que sofria os males da AIDS e morreria meses depois do lançamento do disco. Para coroar a boa fase que o Barão vivia, em 1991 o grupo foi eleito “Melhor Conjunto de Rock” no Prêmio Sharp, e em 1992 se consagra como a “Melhor Banda do Hollywood Rock”, festival musical que havia ocorrido naquele ano.

Depois do apoio explÃcito de nomes consagrados da música brasileira como Ney Matogrosso e Caetano Veloso, os rapazes do Barão Vermelho não apenas conquistaram definitivamente as ondas das rádios, como também foram convidados para compor a trilha sonora de um filme nacional. Dirigido por Lael Rodrigues e protagonizado pela atriz Débora Bloch, o longa “Bete Balanço”, de 1984, catapultou o Barão para a fama em escala nacional. Além de participar do filme ao lado de artistas daquela geração como Lobão e Titãs, a banda cantou a música-tema da produção, um hit absoluto que fez parte do terceiro e bem-sucedido disco de carreira, “Maior Abandonado”, que na época de lançamento vendeu mais de 100 mil cópias em seis meses. Com as canções “Por Que A Gente É Assim?”, “Dolorosa”, “Bete Balanço” e “Maior Abandonado”, o álbum é considerado o melhor da carreira do Barão por crÃticos e fãs, e ocupa um lugar todo especial no hall dos LPs clássicos do rock brasileiro.
Ainda em 1984, mais especificamente no dia 15 de setebro, o Barão faria uma de suas mais memoráveis apresentações: Cazuza, Frejat e Cia tocaram com a Orquestra Sinfônica Brasileira e o coro do Teatro Municipal do Rio para um público que lotou a Praça da Apoteose, na capital carioca. Não bastasse esse prestigiado show, logo em seguida os garotos foram convidados para subir ao palco do primeiro festival Rock In Rio, em janeiro de 1985, e se apresentaram no mesmo dia das atrações internacionais Yes, Nina Hagen e B52’s e dos conterrâneos Blitz, Erasmo Carlos e Gilberto Gil.
de intérprete e ter mais liberdade autoral nas composições. Ele era inclusive apoiado pelo parceiro Frejat, desde que não abandonasse o grupo. Porém, a inevitável saÃda do expansivo lÃder do Barão se deu de forma conturbada e nada amigável, causando forte abalo na relação entre Frejat e Cazuza, que só iriam se reconciliar anos mais tarde. Com a saÃda de seu carismático frontman, o Barão tomou um banho de água fria logo quando saboreava o gostinho do sucesso nacional. Mas o guitarrista Frejat chamou a responsabilidade para si e assumiu os vocais. Tinha inÃcio a segunda fase do Barão Vermelho, uma era de altos e baixos, mas sempre com muito rock n’ roll.


Aquele garoto magricela e cheio de atitude conquistou a todos do Barão Vermelho. Seu vocal berrante e intenso era o que os outros quatro integrantes tanto procuravam. Entusiasmado com sua aprovação, Cazuza aproveitou para apresentar algumas composições antigas que havia feito. Aos poucos, o grupo deixou as covers de lado e começou a trabalhar num repertóro autoral. A partir dali, tinha inÃcio uma das parcerias mais produtivas do rock nacional: Frejat e Cazuza, o núcleo criativo por trás das letras do Barão Vermelho.
ingresso dos garotos cariocas no mercado fonográfico nacional. Já no ano seguinte, a ascendente carreira do grupo, aliada ao entusiasmo e à produtividade da parceria Cazuza-Frejat, concebeu o disco “Barão Vermelho 2″, produzido durante um mês no estúdio. Muito embora o Barão fosse o primeiro grupo em anos que surgiu propondo um rock n’ roll com cara de Brasil, as rádios inicialmente rejeitaram o som dos cariocas, por acharem que as músicas careciam de apelo comercial. Somente depois que Ney Matogrosso gravou uma versão da agitada “Pro Dia Nascer Feliz” (do segundo álbum), e Caetano Veloso reconheceu Cazuza como um grande poeta e incluiu “Todo Amor Que Houver Nessa Vida” no repertório de seus shows, é que os garotos do Barão começaram a receber a atenção que mereciam das rádios.