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Arquivo para a categoria ‘Acervo de Luxo’

ACERVO DE LUXO: “Todos os Homens do Presidente” e o poder do jornalismo.

imgnovembro 28th, 2009, por admin

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Baseado em fatos reais, o filme “Todos os Homens do Presidente” (All The President’s Men, 1975) narra a saga de Bob Woodward (Robert Redford) e Carl Bernstein (Dustin Hoffman), a dupla de jornalistas do “Washington Post” responsável pela investigação que desmascarou ao mundo um dos maiores esquemas de corrupção da política norte-americana, naquele que ficou conhecido como o caso Watergate, que provocaria a renúncia do polêmico presidente republicano Richard Nixon.

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Tudo começa quando, em 1972, cinco homens são presos por invadirem a sede do Partido Democrata, localizada no edifício Watergate, e tentarem fotografar documentos e instalar escutas ilegais. Woodward e Bernstein decidem investigar mais a fundo esse obscuro caso, e aos poucos descobrem o envolvimento do Partido Republicano e de membros do alto escalão da Casa Branca, desvendando um esquema de proporções que se mostram cada vez mais assustadoras.

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todos_os_homens_do_presidente_e_o_poder_do_jornalismo_blogA carismática e empenhada dupla de repórteres revela, além de um exímio faro jornalístico, uma inflexível determinação pela busca da verdade por trás de uma confusa teia de nomes, cargos, cifras, suposições e pistas falsas. O cotidiano da redação do jornal é mostrado de forma honesta, realista, despido de glamourizações: a correria, a procura desesperada por fontes significativas, a preocupação com os prazos, a pressão e as críticas do editor-chefe, o barulho furioso das teclas datilográficas preenchendo o ambiente, está tudo ali. Aliás, as máquinas de escrever são reverenciadas como a arma definitiva dos jornalistas, o instrumento através do qual eles podem exercer a ainda subestimada força da palavra, tão relevante numa sociedade democrática e de livre expressão, e que, neste caso particular, foi capaz de derrubar o presidente dos EUA.

A confiança que o editor Ben Bradlee (Jason Robards) demonstra ao acreditar no criticado trabalho dos “garotos” também evidencia a importância do companheirismo e do espírito coletivo numa profissão que pode se tornar extremamente arriscada.

todos_os_homens_do_presidente_e_o_poder_do_jornalismo_blog5“Todos os Homens do Presidente” é um ótimo filme de suspense, porque ainda que o espectador saiba de antemão como se concluiu o escândalo de Watergate, é fascinante acompanhar o árduo trabalho de uma admirável dupla que lutou pelo compromisso com a verdade e com o interesse público, mesmo sabendo que corria risco de vida. Por mais que esse tipo de discurso esteja até banalizado no atual meio jornalístico, tem de se admitir que há poucos casos que evidenciem tamanha dedicação profissional e exemplo ético a ser seguido pelos jornalistas de todo o mundo.

O filme é uma grande homenagem ao tipo de jornalismo mais puro e romântico: aquele que preza pela ética e pelo dever de prover à sociedade o direto à informação, essencial ao interesse público.

- ENCERRAMENTO -

E aqui termina a primeira edição do especial “Acervo de Luxo”, que apresentou abordagens aprofundadas sobre alguns dos maiores clássicos do cinema – “O Pagador de Promessas”, “Janela Indiscreta”, ”Ladrões de Bicileta” e “Todos os Homens do Presidente”. Para conferir todas as postagens deste especial, clique aqui.

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ACERVO DE LUXO: “Ladrões de Bicicleta”, um marco do neo-realismo italiano.

imgnovembro 14th, 2009, por admin

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LADROES_02O que faz um filme não envelhecer e sobreviver ao tempo é conseguir emocionar o telespectador com a mesma intensidade de quando foi produzido. “Ladrões de Bicicleta” do diretor Victorio de Sica (1948) consegue através da sua forte carga dramática, nos redimensionar no tempo e vivenciar o desespero de uma Itália devastada pela guerra mundial ao meio de escombros físicos e morais.

“Ladrões de Bicicleta” se tornou o símbolo de um movimento de cineastas italianos conhecido com o Neo-Realismo. Esse movimento tem inicio em meados da década de 40, expõe com propriedade o drama social-econômico da Itália desses primeiros anos do pós-guerra e visa criar um registro histórico fiel desse período. O principal foco das histórias são as consequências da guerra, inseridos com os problemas de desemprego, a fome, a falta de dinheiro e o crescimento da criminalidade.

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O Neo-Realismo possui diversas características que definem esse movimento e um deles é a utilização de atores amadores no filme. Além de ser um perfil estético adotado em não trabalhar com atores profissionais, o fator falta de verba e o desemprego na grande parte da população também se tornavam motivos dessa opção. Aliás, isso em nenhum momento atrapalha ou é perceptível na atuação bem convincente do elenco em “Ladrões de Bicicleta”.

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O enredo passa na Itália, devastada no pós-guerra e conta a trajetória de Antonio Ricci, desempregado há três anos e que consegue uma vaga de emprego como colador de cartazes na rua. Para exercer essa atividade, ele obrigatoriamente precisa de uma bicicleta, para se locomover mais rápido na tarefa. Sem o veiculo, Ricci e sua mulher Maria conseguem dinheiro para recuperar sua bicicleta penhorada. Entretanto, enquanto colava cartazes no primeiro dia de trabalho, roubam sua bicicleta. A partir daí, Antônio e o filho do casal Bruno começam uma verdadeira saga para recuperar a bicicleta e a esperança de uma vida melhor. A determinação nessa busca fará com que Ricci tome atitudes imprevisíveis nessa dramática história.

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Victorio de Sica nos premia com uma emocionante história que nos faz refletir e transforma o filme em uma referência na história da sétima arte. “Ladrões de Bicicleta”, além de ganhar admiradores em todo o mundo, ganhou um Oscar esécial e Globo de Ouro de Melhor Filme estrangeiro, ganhou o BAFTA de Melhor Filme, além do Prêmio Bodil de Melhor Filme Europeu o Prêmio Especial do Júri, no Festival de Locarno.

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ACERVO DE LUXO: “Janela Indiscreta” e a magia do cinema.

imgoutubro 27th, 2009, por admin

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JANELA_INDISCRETA_01“Janela Indiscreta” (Rear Window, 1954) é um dos filmes mais bem-sucedidos do aclamado diretor inglês Alfred Hitchcock. Baseado num conto do romancista americano Cornell Woolrich, o longa se passa em Nova York e narra a história do repórter fotográfico L.B. “Jeff” Jefferies, que, após quebrar uma perna num acidente de trabalho, encontra-se temporariamente confinado em seu apartamento, aos cuidados da enfermeira Stella. Preso a uma cadeira de rodas, Jeff tem como único passatempo bisbilhotar, através de sua janela, o cotidiano dos vizinhos. Depois de notar a forma estranha com que um deles repentinamente passou a se comportar, o fotógrafo induziu que este teria assassinado sua esposa, e decide investigar o caso por ele mesmo, com o auxílio de sua namorada, a socialite interpretada por Grace Kelly.

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JANELA_INDISCRETA_07Com quase duas horas de duração, “Janela Indiscreta” traz a essência do bom cinema: personagens cativantes, roteiro consistente e direção brilhante. James Stewart interpreta Jeff, o fotógrafo enfermo que reluta em aceitar as limitações de sua condição, um personagem desajustado à passividade imposta pelo confinamento numa cadeira de rodas. Acostumado à vida de aventuras que sua profissão proporciona, Jeff se vê impotente diante da situação em que se encontra, um desconforto latejante representado pelo inconveniente comichão que ocasionalmente lhe ocorre. Observar a rotina da vizinhança é uma prática que surge com a despretensão de um passatempo: um mosaico de personalidades excêntricas detém a atenção de Jeff, e logo todos aqueles carismáticos vizinhos ganham seu silencioso afeto, tornando-se personagens tão próximos a ele quanto ao espectador.

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Mas uma vez despertado, o voyeurismo de Jeff gera uma incontida obsessão quando ele suspeita que Lars Thorwald, o vendedor de jóias que mora no edifício a sua frente, tenha esquartejado sua esposa inválida. O uso de binóculos, e posteriormente de uma enorme lente teleobjetiva, ilustra a gradação com que esta ostensiva invasão de privacidade se desenvolve, e representa o crescente comprometimento de Jeff com a resolução do caso – válvula de escape que ele procurava para pôr fim ao marasmo dos seus dias de recuperação.

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Em “Janela Indiscreta”, Hitchcock não apenas conduz magistralmente uma bem elaborada trama de suspense, mas também se debruça sobre o voyeurismo como prazer essencialmente humano – “Será que não somos todos voyeurs?”, questionou-se o diretor ao ler uma crítica que reprovava a exacerbada curiosidade do protagonista.

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O suspense cru e real, que aposta na verossimilhança e em aspectos do cotidiano para fazer o espectador transpirar apreensão do início ao fim, é uma marca registrada do universo hitchcockiano, e nos faz pensar em quão descartáveis podem ser a plasticidade e a megalomania dos efeitos visuais (baluartes da tradição mercadológica dos atuais blockbusters de Hollywood) na concepção de um bom filme de entretenimento. Por essas e outras, “Janela Indiscreta” é uma declaração de amor ao cinema mais puro e autêntico.

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ACERVO DE LUXO: Especial estreia com “O Pagador de Promessas”.

imgoutubro 9th, 2009, por admin

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- APRESENTAÇÃO -

A Mais Ação Entretenimento, comemorando seu aniversário de três anos, orgulhosamente apresenta a série especial “Acervo de Luxo”, escrita por Fábio Bandeira e Victor Souza, que irá abordar filmes importantes para a história do cinema nacional e estrangeiro, obras que sobrevivem à prova do tempo e conseguem se manter interessantes e atuais. Para começar, homenageamos um verdadeiro marco do cinema brasileiro: o clássico “O Pagador de Promessas”.

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Não é todo dia que o diretor e a equipe de produção de um filme ganham um desfile público em carro aberto após receber vários prêmios internacionais. Aliás, no Brasil, essa honraria só foi obtida com o filme “O Pagador de Promessas”, único brasileiro vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes.

pagador_de_promessas1Embora filmado há mais de quatro décadas (1962), o filme dirigido por Anselmo Duarte resistiu muito bem ao tempo e se trata de um marco do cinema nacional. Possui nítidas intenções de evidenciar diversas questões socio-culturais da vida brasileira e conta com uma produção tecnicamente exemplar, como nos movimentos de câmera, na fotografia e também na atuação dos personagens principais e secundários.

Filmado no auge do movimento do Cinema Novo, envolve elementos regionais como o povo nordestino e o coronelismo; discute a influência da religião e a crendice popular; mexe com a reforma agrária e critica a atuação da imprensa. 

A história conta a trajetória de Zé do Burro e sua mulher, Rosa, que vivem no interior da Bahia. Um dia, Zé faz uma promessa em um terreiro de Candomblé para que seu burro de estimação se recupere de uma doença. Com o restabelecimento do burro, Zé doa metade de seu sítio, para depois iniciar uma caminhada rumo a Salvador, carregando nas costas uma imensa cruz de madeira, que deve ser colocada dentro da igreja, a fim de pagar sua promessa. Quando chega em Salvador, muitas confusões e intrigas acontecem com Zé, Rosa e outros personagens que são apresentados na história.

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O filme de Anselmo Duarte destaca principalmente a ingenuidade e a devoção de um povo que enfrenta a intolerância, ressaltando alguns elementos do Nordeste como o acarajé, o candomblé, a capoeira, e expõe as qualidades e defeitos que possuem o ser humano envolvidos com o amor, a cobiça, a lealdade, a malícia, entre tantos outros.

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