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MEMÓRIA MAIS AÇÃO: A bossa é nossa.

imgagosto 25th, 2009, por admin

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tom-jobim_07.jpgEm 1957, além de comemorar o nascimento de sua filha Elizabeth, Tom Jobim recebeu o prêmio de melhor compositor da prefeitura do então Distrito Federal; estreou na televisão comandando o programa “Noite de Gala”, da TV Rio, ao lado do maestro Osvaldo Borba; e ainda foi convidado para musicar a versão de “O Pequeno Príncipe” estrelada pelo ator Paulo Autran. Mas foi o reencontro com João Gilberto que transformaria a carreira do carioca – o amigo baiano lhe mostrou duas composições inéditas, “Bim-Bom” e “Oba-lá-lá”, cujas batidas barra_memoria_mais_acao_2.jpgpeculiares de violão hipnotizaram Tom. Aqueles eram os embriões do que viria a se tornar a bossa nova, uma revolução musical brasileira.

Outro marco na trajetória artística de Tom foi a gravação do disco “Canção do Amor Demais”, de Elizeth Cardoso, que trouxe 13 composições da parceria com Vinícius e a participação de João Gilberto nos arranjos, apresentando seu estilo de tocar violão que seria popularizado com o nome de bossa nova. “Chega de Saudade”, “Canção do Amor Demais”, “Medo de Amar” e “Serenata do Adeus” são algumas das pérolas desta obra de 1958.

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tom-jobim_08.jpgO impacto da bossa nova na música e na cultura brasileira seria sentido no ano seguinte, em 1959, com o lançamento do álbum “Chega de Saudade”, de João Gilberto. Tom Jobim participou na direção musical, nos arranjos, e em algumas composições, como “Desafinado”, “Brigas Nunca Mais” e a emblemática faixa-título. Considerado o marco zero oficial da bossa nova, o disco de João Gilberto transformou Jobim num requisitado e respeitado compositor, cujo talento já era nacionalmente reconhecido. Ainda em 1959, o versátil músico carioca compôs a trilha do filme “Pluft, o Fantasminha”, adaptação da peça de Maria Clara Machado, e passou a estrelar um programa semanal de entrevistas na TV Paulista, “O Bom Tom”, que se tornaria um sucesso de audiência da emissora. Além disso, Tom recebeu a Palma de Ouro no Festival de Cannes e o Oscar de melhor trilha sonora pelo filme “Orfeu Negro”, inspirado na peça “Orfeu da Conceição”, de Vinícius de Moraes.

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tom-jobim_11.jpgConvocado pelo então presidente Juscelino Kubitschek, Tom compôs um poema sinfônico para marcar a inauguração de Brasília, a nova capital do País. “Brasília, Sinfonia da Alvorada” teve seu recitativo escrito por Vinícius de Moraes. Enquanto se firmava como um dos artistas mais importantes da história da música brasileira, Tom continuava compondo para os álbuns seguintes de João Gilberto – canções como “Samba de Uma Nota Só” e “Insensatez” solidificaram a bossa nova como um movimento que redefiniria os rumos musicais da cultura nacional.

tom-jobim_12.jpgEm 1962, ainda seriam lançadas outras clássicas canções da bossa nova: “Samba do Avião”, de Tom; e “Só Danço Samba” e “Garota de Ipanema”, de Tom e Vinícius, sendo que esta última só seria registrada em disco no ano seguinte, e posteriormente se tornaria uma das músicas mais regravadas da história do Brasil. Não demorou muito, e a bossa nova virou produto de exportação do País para o mundo, especialmente para os Estados Unidos, cujos adeptos do jazz se apaixonaram pelo sambinha de uma nota só. O movimento musical tupiniquim desembarcou oficialmente na América através de um show no Carnegie Hall, em Nova York, que apresentou o núcleo bossanovista: Tom Jobim subiu ao palco ao lado de Vinícius de Moraes, João Gilberto, Sérgio Mendes, Agostinho dos Santos e Luiz Bonfá.

tom-jobim_13.jpg

tom-jobim_14.jpgA estreia de Tom Jobim como cantor, em disco, ocorreria com o lançamento de “Caymmi Visita Tom”, de 1964, que reuniu o compositor carioca com o baiano Dorival Caymmi. No mesmo ano, Jobim ganharia três prêmios Grammy – pelos arranjos do álbum “Brazil’s Brilliant João Gilberto” e pela composição de “Garota de Ipanema” e “Desafinado”. Desfrutando de fama internacional, o músico parte para uma temporada de shows nos Estados Unidos, mas uma das maiores surpresas de sua vida viria dois anos depois, quando recebeu um telefonema do lendário cantor Frank Sinantra para gravarem um álbum juntos. Reunindo canções como “Baubles, Bangles and Beads”, “Inútil Passagem” e “Change Partners”, o disco “Albert Francis Sinatra & Antonio Carlos Jobim”, de 1967, foi aclamado pela crítica norte-americana e ficou em segundo lugar na lista de mais vendidos, atrás apenas do clássico “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band”, dos Beatles. Jobim e Sinatra, já bons amigos, gravaram outro disco juntos: “Sinatra & Company”, com arranjos de Eumir Deodato. Ainda em 1967, Tom estrearia outra frutífera parceria: ao lado de Chico Buarque, compôs a canção “Retrato em Branco e Preto”.

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Você está acompanhando o especial “Tom Maior”, do projeto “Memória Mais Ação”. No próximo post, conheça a fase ecológica de Tom Jobim e outras pérolas que ele compôs nas últimas décadas de sua vida. Clique aqui para ver tudo o que já foi publicado neste especial.

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