MEMÓRIA MAIS AÇÃO: Uma roqueira brasileira.
julho 17th, 2009, por admin

Distante da intensa vida com Os Mutantes, durante a qual fugiu da polícia, desafiou a censura da ditadura militar, fez parte de comunidades hippies e experimentou diversos tipos de drogas, Rita Lee Jones montou a banda Tutti-Frutti em 1973, dando início a uma produtiva carreira solo que a consagraria como a madrinha do rock nacional e uma das vozes femininas mais versáteis da música brasileira. Contratado pela gravadora Som Livre, o grupo Rita Lee & Tutti-Frutti lança, em 1974, o disco “Atrás do Porto Tem uma Cidade”, que trazia as canções “De Pés no Chão”, “Pé de Meia” e o hit “Menino Bonito”. A popularidade e o reconhecimento de público e crítica vieram com “Fruto Proibido”, lançado em 1975 emplacando os sucessos “Esse Tal de Roque Enrow”, “Agora Só Falta Você” e “Ovelha Negra”. Marcado pela personalidade e irreverência da cantora, o álbum é considerado até hoje como uma das obras essenciais do rock brasileiro.

Colhendo os frutos do reconhecimento nacional pelo sucesso de sua carreira solo com o Tutti Frutti, Rita Lee conhece o guitarrista Roberto de Carvalho em 1976, com o qual firma uma parceria musical que em pouco tempo origina um intenso relacionamento amoroso. O casal teve três filhos – Roberto (1977), João (1979) e Antonio (1981) – e permanece unido até hoje.

Em 1977, grávida de três meses de Beto Lee, a cantora foi acusada por porte e consumo de maconha, e ficou durante um ano em prisão domiciliar, mas teve permissão para fazer shows. Nesta época, compôs a canção “Arrombou a Festa” em parceria com Paulo Coelho e a lançou em um compacto que vendeu 200 mil cópias. Livre da prisão, Rita foi convidada pela amiga Elis Regina para participar de um especial na Bandeirantes, onde as duas interpretaram “Doce de Pimenta”, composição da ruiva em homenagem à cantora gaúcha. Com Roberto de Carvalho incorporado à sua banda, Rita Lee viaja com Gilberto Gil na turnê “Refestança”, que posteriormente ganha registro em disco. Em 1979, a cantora grava o álbum “Rita Lee”, no qual expõe seu lado romântico e cujo carro-chefe é a música “Mania de Você”, o primeiro grande sucesso da produtiva parceria com Roberto de Carvalho, que mais uma vez reafirmou o poder e a influência de Rita sobre a música pop brasileira. No ano seguinte, a canção “Lança Perfume” conquista tanta popularidade que ultrapassa os limites das rádios brasileiras: figurou por mais de um mês no topo das paradas da “Billboard”, nos Estados Unidos, e ainda virou hit nas boates europeias. Rita Lee estava indo onde o pop brasileiro nunca havia chegado, seja nos shows megaproduzidos, seja nas cifras registradas pelas vendas de seus discos.

Mundialmente respeitada e nacionalmente amada, a carismática ruiva de São Paulo chega aos anos 80 como uma das maiores artistas brasileiras do momento. Além de uma memorável participação no especial “Mulher 80″, da Rede Globo, cujo objetivo era discutir o papel feminino na sociedade da época, a cantora atravessa a década entre altos e baixos. Abalada por problemas pessoais (a morte de sua irmã mais velha e da amiga Elis Regina, além do debilitado estado de saúde do pai), Rita Lee se recolhe da vida profissional por um tempo. Em 1983, chegou a lançar um disco mas nem se preocupou em divulgá-lo. A crítica e o público não aprovaram o novo trabalho, e a cantora decidiu passar todo o ano seguinte sem qualquer aparição pública. Depois de uma tímida apresentação no festival Rock In Rio, em 1985, a ruiva reaparece em cena com um álbum inspirado, “Rita e Roberto”. Em 1986, depois de romper contrato com a Som Livre, ela adota o nome de Lita Ree, escrevendo e apresentando o programa “Rádio Amador”, veiculado pela rádio 89FM, de São Paulo, e posteriormente pela Rádio Cidade, do Rio de Janeiro. A atração abria espaço para raridades de colecionadores e fitas demo de bandas de garagem.

Depois de declarar guerra à imprensa após duras críticas feitas ao disco “Flerte Fatal”, de 1987, Rita Lee se arrisca como atriz, participando do filme “Fogo e Paixão”, ao lado de Roberto de Carvalho, e “Dias Melhores Virão”, produção elogiada no Festival de Cannes na qual contracena com Marília Pêra. O reconhecimento por sua capacidade de atuar veio com os prêmios de melhor atriz no Festival de Denzer, em 1990, e melhor ator (isso mesmo: ator!) pelo curta-metragem “Tanta Estrela Por Aí…”, no qual interpreta Raul Seixas. Este último foi entregue pela Prefeitura do Rio em 1993.

Você está conferindo o especial “Cor de Rosa Choque”, do projeto “Memória Mais Ação”. No próximo post, descubra o que Rita Lee aprontou na década de 90 e a influência de sua obra na música brasileira. Clique aqui para ver tudo o que já foi publicado.
